O Skyna Hotel Luanda, unidade de quatro estrelas com mais de duas centenas de quartos, está à venda. O preço pedido não é do conhecimento público, e os interessados deverão contactar a Imponente Imobiliária, empresa que se apresenta como referência no mercado imobiliário angolano, com 11 anos de experiência e sede em Talatona, Luanda.
Neto de portugueses e filho de pai angolano e mãe portuguesa, Alexandre Portugal nasceu em Angola há cerca de 73 anos — tinha 68 em 2020 — e construiu ao longo de décadas um dos mais diversificados conglomerados empresariais do país.
À frente do Grupo ANP — anteriormente Socinger (Sociedade Comercial de Investimentos Gerais) —, que fundou nos anos 90 juntamente com Neuza Portugal, o empresário assume o papel de presidente e CEO, enquanto Neuza Portugal se foca na vertente operacional. O grupo detém, além de um vasto portefólio imobiliário, a Africana Distribuidora, apresentada como a maior distribuidora de jornais, revistas e livros de Angola; a FVK – Fábrica de Vidros Kikolo, única produtora de vidros temperados no país; e empresas nos setores de logística, turismo e gestão financeira, com presença também em Portugal.
A colocação à venda do Skyna Luanda marca um momento de viragem para o grupo. O hotel foi inaugurado em 2009 com uma ambição clara: criar um intercâmbio entre as melhores práticas da hotelaria portuguesa e a hospitalidade do povo angolano. Durante mais de uma década, tornou-se uma referência na capital angolana. Não é a primeira vez que o grupo se afasta de um ativo hoteleiro.
Em abril de 2015, cinco anos após a abertura do Skyna Luanda, Alexandre Portugal inaugurou o Skyna Hotel Lisboa, na esquina da Rua Artilharia 1 com a Rua Dom Francisco Manuel de Melo, entre o Parque Eduardo VII e Campolide — um investimento de 20 milhões de euros, com 105 quartos. Três anos depois, no final de 2018, o imóvel foi vendido a investidores espanhóis, que se tornaram senhorios do grupo hoteleiro Barceló.
O Skyna Lisboa deu lugar ao Occidental Lisboa. Em 2020, em plena pandemia, o próprio Alexandre Portugal justificava a cautela em relação à hotelaria: “A recuperação da hotelaria vai demorar algum tempo. Nesta altura, há outros projetos mais sólidos.”
À época, o empresário havia adquirido o Convento de Francos, no Porto — último convento de clausura da cidade, inaugurado em 1951 e abandonado há quase duas décadas após a saída das Carmelitas Descalças — por cerca de 2,2 milhões de euros, prometendo um projeto “cinco estrelas, mas não hoteleiro”.
A venda do Skyna Luanda surge assim como mais um passo numa estratégia de recomposição de carteira, num grupo que, ao longo de três décadas, foi muito além dos quartos de hotel.








