José Carlos de Almeida, pensador, escritor e jurista, quer ser Presidente do MPLA — e, por essa via, o próximo Presidente da República de Angola. A ambição é assumida, o modelo de recolha de assinaturas já está preparado, e o apelo aos militantes foi feito de forma pública: “A todos os militantes e a cada um, peço apoio. Se não quiserem apoiar, então, que não criem constrangimentos que dificultem ou impeçam a recolha.”
A vocação política, diz o próprio, vem de longe. Desde tenra idade, Almeida mergulhou na leitura do Jornal de Angola, das Edições de Novembro e das revistas do MPLA, além das obras de escritores angolanos. Foi essa paixão que o conduziu a uma formação em Ciências Sociais na Escola Político-Militar Comandante Jika, durante o serviço militar obrigatório.
Após a desmobilização, prosseguiu os estudos na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e depois em Portugal, onde se licenciou em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa — cidade onde ingressou na Juventude do MPLA e estreitou laços com figuras proeminentes do partido. De regresso a Angola, trouxe consigo ideias, propostas e uma visão forjada entre Luanda, Lisboa e o Brasil, onde procurou experiências em gestão municipal no âmbito do debate sobre as autarquias locais — ainda hoje por implementar. Não hesitou em criticar construtivamente o governo de José Eduardo dos Santos, afirmando um compromisso com o progresso acima da fidelidade cega ao poder.
Agora, com o lema “MPLA, Mais & Melhor”, Almeida propõe-se revitalizar o partido, devolver a esperança aos eleitores e reconciliar os militantes afastados. O alvo é claro: a presidência do MPLA, cargo ocupado por João Lourenço desde 2017. A sua candidatura, descreve, é unificadora, sensível e empática — voltada para a inclusão de todos os angolanos no processo de desenvolvimento do país.
Mas nas redes sociais, a recepção foi impiedosa. “Política faz-se com dinheiro, não basta só boa grafia e oratória. Será que tens mesmo dinheiro suficiente?”, questionou um internauta. Um sacerdote analista identificado como Inocêncio foi mais directo: “Ele deveria se concentrar em liderar um CAP e já seria muito — o resto acho que seja um sonhador.” Outro seguidor dispensou a diplomacia: “Meu escritor predilecto, fica só já na literatura — estás melhor, deixa a política.”
O problema é que José Carlos de Almeida parece não estar a ouvir. E o desafio que tem pela frente é monumental: para sequer chegar à corrida, terá de recolher pelo menos 5.000 assinaturas de militantes, distribuídas por todas as províncias do país — numa estrutura partidária onde João Lourenço controla o aparelho e onde candidaturas alternativas raramente passam do papel para as urnas.
O processo de candidaturas ao 9.º Congresso Ordinário do MPLA decorre de 28 de Março a 25 de Outubro de 2026, com o conclave agendado para 9 e 10 de Dezembro. Até lá, Almeida tem meses para provar que não é apenas mais um sonhador com um modelo de assinaturas na mão. João Lourenço, por ora, não parece estar preocupado.








