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Angola entre os mais ricos de África mas a maioria da população continua na “desgraça”

Angola está entre os países africanos com mais milionários, mas fica fora do top 10 do continente — uma realidade que contrasta de forma gritante com os elevados índices de pobreza que afectam a maioria da população. O tema foi debatido no programa Anatomia do Saque, da Rádio Essencial, na edição subordinada ao tema “Corrupção e Pobreza: Quem paga a conta?”.

O ex-presidente do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) e actual líder do Movimento Social para a Mudança (MSM), Francisco Teixeira, foi um dos intervenientes. “Angola é um dos países de África com mais milionários. É um contraste muito grave: como é que, por um lado, existem muitos milionários e, por outro, pessoas extremamente pobres? É muito triste”, afirmou o activista.

Teixeira lamentou que, apesar das “abundantes riquezas” do país, a maioria da população continue na “desgraça”, enquanto um grupo restrito de “afortunados” concentra a riqueza nacional — um paradoxo que considerou “inexplicável”. Aproveitou ainda para criticar a política de promoção do turismo, que disse estar a ser “mal conduzida”, apontando o subaproveitamento de locais como o Miradouro da Lua e o Morro do Moco.

Os números confirmam, com nuances

Os dados sustentam, em parte, a afirmação do activista. Segundo o relatório de 2025 da Henley & Partners, consultora internacional de referência nas áreas de finanças e cidadania, Angola contava com cerca de 2.300 milionários — indivíduos com património superior a um milhão de dólares. Face a 2024, quando o número rondava os 2.250, o crescimento foi modesto, de aproximadamente 50 pessoas.

Num universo de 19 países africanos analisados, Angola ocupa a 11.ª posição, sendo o primeiro entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Fica, contudo, fora do top 10, atrás da Etiópia, que regista 2.400 milionários.

A distância para os líderes do ranking é considerável. A África do Sul encabeça a lista com 41.100 milionários, seguida do Egipto com 14.800 e de Marrocos com 7.500.

Sem bilionários e fora das cidades mais ricas de África

O mesmo relatório identifica em Angola seis centimilionários — pessoas com fortuna superior a 100 milhões de dólares —, mas nenhum bilionário, ou seja, nenhum indivíduo com património acima dos mil milhões de dólares.

Luanda também não figura entre as dez cidades africanas mais ricas, o que reforça a ideia de que, apesar da presença de fortunas significativas, a riqueza angolana permanece concentrada e longe de se traduzir em prosperidade generalizada para o conjunto da população.

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