O cofundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, lançou novas críticas ao serviço de mensagens rival WhatsApp, afirmando que a encriptação de ponta a ponta presente na plataforma é uma “fraude gigantesca”.
“A ‘encriptação’ do WhatsApp é talvez a maior fraude contra os consumidores da história – enganando milhares de milhões de utilizadores”, começa por escrever Durov numa publicação partilhada na rede social X. “Apesar do que afirma, [o WhatsApp] lê as mensagens dos utilizadores e partilha-as com terceiros. O Telegram nunca fez isto e nunca o fará”.
Em outra publicação partilhada de seguida, Durov afirma que a esmagadora maioria das mensagens trocadas através do WhatsApp acaba por ser armazenada (sem encriptação) nos serviços de cloud da Apple e da Google. Mais ainda, caso os contactos não tenham ativado encriptação, as mensagens dos utilizadores vão permanecer desprotegidas.
“A alegada ‘encriptação de ponta a ponta’ do WhatsApp é uma fraude gigantesca contra o consumidor: cerca de 95% das mensagens privadas no WhatsApp acaba em cópias de segurança em texto simples nos servidores da Apple/Google – sem encriptação de ponta a ponta”, afirma o líder do Telegram. “A encriptação da cópia de segurança é opcional e poucas pessoas a ativam – muito menos usam palavras-passe fortes”.
Durov continuar a explicar que, mesmo que o utilizador ative a encriptação da cópia de segurança no WhatsApp, “mais de 90% das pessoas” com quem os utilizadores trocaram mensagens não o fizeram.
“Acrescente-se o facto de o WhatsApp armazenar e divulgar com quem se conversa e o cenário é alarmante”, aponta Durov. “A Apple e a Google divulgam a terceiros as mensagens em cópias de segurança do WhatsApp milhares de vezes por ano. Entretanto, o Telegram não divulgou um único byte das mensagens dos seus utilizadores nos seus mais de 12 anos de história”.
Recordar que esta não é a primeira vez que Durov ataca o WhatsApp com base no tema da encriptação. O líder do Telegram fez ataques semelhantes em 2019, onde afirmou que “o WhatsApp nunca será seguro”.
Em março de 2025, Durov afirmou também que o WhatsApp era “uma imitação barata e diluída do Telegram. “Há anos que tentam desesperadamente copiar as nossas inovações enquanto queimam milhares de milhões em ‘lobbying’ e campanhas de relações públicas para nos abrandar”, afirmou Durov na altura. “Falharam. A Telegram cresceu, tornou-se lucrativo e – ao contrário do nosso concorrente – mantivemos a independência”.
Em janeiro de 2026, a Meta foi alvo de um novo processo nos EUA onde a empresa é acusada de conseguir “armazenar, analisar e aceder a virtualmente todas as conversas alegadamente privadas dos utilizadores do WhatsApp”.
Diz a Bloomberg que, apesar de o processo estar a ser conduzido nos EUA, a queixa tem origem num grupo de utilizadores provenientes de vários países – como é o caso da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul. Este grupo indica que obteve informações por via de denunciantes dentro da Meta, mas não prestou esclarecimentos sobre as identidades ou a natureza das informações que foram partilhadas.







