Angola deve 12,9 mil milhões de dólares à China — e não 48 biliões, como afirma uma publicação que circula nas redes sociais e que atribui a cada angolano um passivo teórico superior a um milhão de kwanzas. Os números são incorrectos e não têm qualquer suporte nos dados oficiais.
Segundo o Banco Nacional de Angola (BNA), o stock total da dívida pública externa angolana fixou-se em 54,2 mil milhões de dólares em 2025. A China é o segundo maior credor bilateral do país, com uma exposição de 12,9 mil milhões de dólares. O principal credor é o Reino Unido, com 19,1 mil milhões de dólares, seguido pelos Estados Unidos, na terceira posição, com cerca de 6 mil milhões de dólares.
Com base nesses dados, os cálculos do Polígrafo África indicam que o passivo teórico de cada angolano face ao conjunto dos credores externos ronda os 1.500 dólares — cerca de 1,3 milhão de kwanzas. No caso específico da dívida à China, esse valor desce para cerca de 353 dólares por cidadão, equivalente a aproximadamente 322 mil kwanzas — menos de um terço do que a publicação viral sugeria.
A publicação falsa colocava ainda Angola no topo de um alegado ranking africano de endividamento à China, à frente de países como Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria, Sudão, Camarões, Gana e Costa do Marfim. Os dados disponíveis não sustentam essa afirmação.
Mesmo no pico do endividamento angolano à China, registado em 2017, com 23,2 mil milhões de dólares e uma população de 25,7 milhões de habitantes, o passivo per capita não ultrapassou os 920 dólares — valor que, convertido, ficou abaixo de um milhão de kwanzas.
O contexto é de forte pressão orçamental: no actual exercício económico, o Governo prevê alocar 15 biliões de kwanzas ao serviço da dívida pública, o equivalente a cerca de 46% dos 33 biliões de kwanzas da despesa total prevista no Orçamento Geral do Estado para 2026.
Polígrafo África







