O líder do Chega, André Ventura, e o historiador Pacheco Pereira protagonizaram um acalorado confronto televisivo em torno da repressão política exercida pelo regime do Estado Novo nas antigas colónias portuguesas de Angola, Moçambique e Guiné.
André Ventura defendeu que “grande parte dos presos, quer na Guiné, quer em Moçambique, quer em Angola, eram pessoas que tinham atacado o Estado português, o exército português, que tinham violado e morto mulheres e bebés.” Para reforçar a sua posição, o deputado citou um documento referente a 1975, onde listou as profissões dos presos políticos — entre eles carpinteiros, comerciantes, advogados, construtores civis e reformados — concluindo que “não eram os militares que estavam presos, nem os políticos. Eram pessoas que discordavam da extrema-esquerda.”
Pacheco Pereira contestou frontalmente esta leitura, afirmando que “grande parte dos presos que estavam em Angola, Moçambique e Cabo Verde eram enfermeiros, funcionários dos correios, professores primários, pastores protestantes, que em muitos casos eram estudantes aliciados para regressarem a Portugal e eram presos nas colónias.” O historiador classificou de “grande mentira” a versão apresentada por Ventura, acusando-o de distorcer os factos históricos.
O momento mais tenso do debate surgiu quando André Ventura reconheceu que “as torturas em Lisboa eram comuns a seguir ao 25 de Abril”, declaração que Pacheco Pereira rejeitou de imediato, garantindo tratar-se de uma falsidade. Ventura, por sua vez, deixou claro que iria proceder ao contraditório, recordando com ironia: “Não é Alexandra Leitão” — numa alusão à deputada socialista, conhecida por não questionar os seus interlocutores em debate.
O confronto entre as duas figuras expõe a persistência de leituras divergentes sobre o legado do colonialismo português e a natureza da repressão política exercida durante o Estado Novo, temas que continuam a suscitar debate aceso na sociedade portuguesa.








