Angola prevê introduzir, neste ano de 2026, um programa de soluções de inteligência artificial para a detecção de fraudes digitais. O programa de iniciativa do tribunal Constitucional, com um investimento avaliado em mais de 2,4 mil milhões de kwanzas, está enquadrado no quadro da modernização dos sistemas eleitorais e de processamento de dados.
De acordo com o Plano Anual de Contratação da instituição, a medida faz parte de uma série de medidas que o Tribunal Constitucional descreve, como necessárias para a evolução do sistema de gestão eleitoral, que inclui também a validação e certificação do Centro de Processamento de Dados (CPD), o desenvolvimento e implementação de sistemas integrados de gestão do processo eleitoral, bem como a actualização da plataforma digital de agendamento e recepção de candidaturas.
Sobre o assunto, o especialista em ciência política, Eurico Gonçalves, disse à Rádio Correio da Kianda, que destaca o impacto positivo desta medida de modernização institucional necessária, num contexto eleitoral cada vez mais digitalizado, a integridade do processo já não depende do voto físico, mas também de sistemas informáticos e fluxos digitais susceptíveis de manipulação.
Eurico Gonçalves sublinhou ainda que esta medida visa o combate igualmente às suspeições que pairam em épocas de eleições, apesar de reconhecer que nenhuma tecnologia neutraliza estas narrativas se não for compreendida e legitimada socialmente.
“A credibilidade não nasce da tecnologia em sim, mas da governação clara e responsável, assegurando que esta medida visa igualmente limitar o impacto da desinformação sobre o eleitorado, reduzindo desta forma, a ansiedade, o medo e a polarização artificial”, sublinhou o especialista.
O Plano Anual de Contratação explica que o pacote contempla ainda o licenciamento de software especializado e a realização de auditorias técnicas e testes de intrusão (pentests) ao ecossistema eleitoral.







