O corredor de Lobito que recebeu mais de 750 milhões de dólares em financiamento em meados de dezembro dos Estados Unidos, por meio da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e da África do Sul, por meio de seu banco de desenvolvimento, é considerada pelo jornalista Rafael Marques, como ferramenta de propaganda do presidente João Lourenço e do Ocidente.
Segundo Rafael Marques, “este é um corredor de hipocrisia: os parceiros de Angola, sejam eles quem forem, não têm o menor interesse em se engajar em discussões sérias sobre o futuro do país”, sustenta em entrevista à Jeune Afrique.
Na sua visão, João Lourenço pode entrar para a história como aquele que conseguiu fazer ainda pior do que José Eduardo dos Santos, algo que ninguém imaginaria ser possível.
“Durante a presidência de dos Santos, o processo de licitação para contratos públicos foi certamente marcado por irregularidades, mas existia. Isso não acontece mais sob o governo Lourenço; a eliminação desse procedimento representa um retrocesso em termos de transparência. O mesmo se aplica à Sonangol , a petrolífera estatal, cuja gestão é mais opaca do que nunca, apesar da queda nas receitas”.
“Em última análise, é provável que o atual chefe de Estado deixe um legado marcado pela corrupção, pela tomada do poder estatal e pela incapacidade de pensar e agir em prol do bem comum”, lamenta.







