Português como língua oficial da ONU. O que falta?


Neste 5 de maio celebra-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Desde 2009 que se assinalava nesta data o dia da língua portuguesa e da cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas em novembro de 2019 a UNESCO conferiu-lhe relevância mundial.

Com este reconhecimento da UNESCO - a organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura - acentua-se a pergunta: O que falta para que o português se junte ao inglês, francês, espanhol, árabe, russo e mandarim como língua oficial de trabalho das Nações Unidas?

Na cerimónia 'online' do Instituto Camões de comemoração da data histórica, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, referiu que o português é a "quarta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a quinta com maior número de utilizadores na Internet e a língua oficial e de trabalho em 32 organizações internacionais."

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, ou seja, 3,7% da população mundial. António Costa citou ainda estimativas que apontam para que o português atinja 380 milhões de falantes em 2050 e no final do século quase 500 milhões. Porque não são estes números suficientes?

À DW África, o secretário executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, diz que a ONU e a CPLP partilham este objetivo.

"Eu próprio constatei quando estive nas Nações Unidas em setembro passado que existe de facto uma vontade de diferentes departamentos das Nações Unidas em poder desenvolver esforços no sentido em que o português venha a ser uma língua oficial, mas também constatei que, para além de uma vontade política, é necessário um enorme esforço financeiro, que obviamente levará o seu tempo a concretizar."

Francisco Ribeiro Telles admite que o facto de o secretário-geral da ONU ser português ajuda no processo, mas reafirma que é necessário "um enorme esforço quer financeiro, quer diplomático para que isso possa vir a acontecer num futuro relativamente próximo."

Enquanto primeiro-ministro de Portugal, António Guterres ajudou a fundar a CPLP. Esta terça-feira, o atual secretário-geral da ONU afirmou que "a proclamação do 05 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa é o justo reconhecimento da sua relevância global." (DW)