Ministro da Defesa coloca Chefe de Estado Maior General das FAA em cheque


O estado actual das Forças Armadas  que fontes com apropriado conhecimento do tema consideram “muito delicado”, constitui uma das principais preocupações do PR João Lourenço no quadro situação geral do país.

Segundo a Newsletter África Monitor, a degradação das condições de vida dos militares é associada a antigos problemas de incompetência, desorganização e venalidade (corrupção) no funcionamento interno das FAA, em especial nos sectores da Administração e Logística – agora exacerbados por “factores adicionais”, nomeadamente a contenção orçamental imposta pela crise económico-financeira declarada em 2014 e a “passividade” do CEMGFA, Gen António Egídio dos Santos  “Disciplina”.

O descontentamento interno em relação ao Gen “Disciplina” é especialmente alimentado por informações que circulam entre os militares acerca de condições consideradas “críticas” em que subsistem as unidades. Também representam focos de descontentamento nomeações a que o CEMGFA procede/ manda proceder, atribuídas a tendências de “amiguismo”, ou a proliferação de rumores no sentido de que a corrupção continua a ser impunemente praticada nos mais elevados escalões das FAA.

A fraca preparação militar do CEMGFA (a sua nomeação interrompeu uma linha de provimento do cargo por oficiais qualificados), acrescida de inclinações que lhe são atribuídas, entre as quais a “marginalização” a que vota os oficiais oriundos da UNITA e os mestiços, fez com que a sua nomeação, em 2017, fosse por si própria geradora de sentimentos de mal-estar interno.

O Gen António dos Santos Neto“Patónio”, presidente do Supremo Tribunal Militar, que simultaneamente pertence ao grupo dos “malanjinos” e dos comissários políticos, foi um dos seus principais apoiantes da nomeação do Gen “Disciplina” . É geralmente conotado como uma das mais influentes figuras do círculo de JL, e esteve no centro da recente ordem de detenção do Gen José Maria.


O afastamento do General “Disciplina” do cargo de CEMGFA, tem vindo a ganhar consistência, a par da do próprio ministro da Defesa,  tendo as relações entre ambos vindo a degradar-se ao longo dos últimos meses.

A contestação interna a um CEMGFA, alargada a todos os escalões do corpo de oficiais, constitui um facto inédito no historial das FAA. “Disciplina” (quase 2 anos no cargo), não é visto como um “verdadeiro militar”, mas como um “comissário político”, que nas antigas FAPLA, inspiradas no modelo soviético, velavam pela ideologia. Também não lhe reconhecem valor intelectual nem sensatez.

Entre os mais prováveis substitutos de “Disciplina” são apontados o seu Adjunto, General Abréu Kamorteiro, bem como os comandantes do Exército, General Sá Miranda e da Força Aérea, General Altino José dos Santos. “Kamorteiro” é oriundo da UNITA. É respeitado e tem a vantagem de conhecer os meandros do EMGFA e do meio militar em geral. Sá Miranda e Altino dos Santos são igualmente respeitados e com autoridade.

África Monitor