Líder da AIA defende aposta na agricultura


A crise económica e financeira que Angola enfrenta, aliada à pandemia do novo coronavírus, devem levar o país a ter uma nova visão sobre como resolvero o défice competitivo em África, defendeu em entrevista a Voz da América, o o líder da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino.

Segundo o economista, um dos grandes desafios que o país tem para criar competitividade tem a ver com a aposta no desenvolvimento do setor agrícola para aumentar a oferta interna.

Severino falava à VOA a propósito da ratificação, pela Assembleia Nacional,a 28 de abril, do Acordo que cria a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que prevê, entre outros, a circulação de pessoas e bens e serviços cruciais visando o aprofundamento da integração económica.

Ao mesmo tempo, um recente estudo feito com a parceria de empresários e líderes politicos em todo o continente coloca Angola na lista dos países pouco empenhados na concretização mercado único africano

O documento foi divulgado, na segunda-feira, 4, numa altura em que cresce a preocupação do setor privado devido ao adiamento da entrada em vigor do acordo, que deveria acontecer a 1 de julho.

O adiamento deveu-se à pandemia do novo cornavírus.

O líder dos empresários angolanos, José Severino, sublinha que Angola “precisa fazer uma mudança de 180 graus para sermos competitivos na região”.

Longo caminho

Entretanto, o ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António disse, por altura da ratificação do acordo, que o país vai precisar toma r“medidas de mitigação, para poder continuar com este processo da criação da Zona de Comércio Livre Continental”.

Quanto ao impacto para Angola deste acordo, o governante disse que o que se pretende é que “o desmantelamento tarifário ocorra dentro do prazo de 10 anos, para as linhas tarifárias menos vulneráveis”.

Téte António afrimou tratar-se de “um processo progressivo, daí as cautelas que foram negociadas pelos técnicos dos diferentes ramos, sobretudo do Ministério do Comércio”

Anda de acordo com o governante, com a entrada em vigor do acordo registar-se-á um aumento das trocas comerciais intercontinentais, que deverão passar dos atuais 16 por cento para 53 por cento, prevendo-se igualmente a eliminação de direitos aduaneiros em 90% dos bens trocados e elevar as trocas comerciais dos países africanos em 23% até 2023.

Téte António admitiu que as infraestruturas são “um dos grandes problemas do continente africano”, que pode ser ultrapassado através de um processo de dinâmicas internas.