Isabel dos Santos acusa Serviços de Inteligência e Segurança de Estado


Depois de, na semana passada, ter denunciado o uso de um passaporte falso, a empresária Isabel dos Santos volta a acusar o Ministério Público angolano de ter feito também recurso a uma “carta falsa do Sinse” no processo que apresentou ao Tribunal para solicitar o arresto do seu património, revela o Jornal Valor Económico.

Segundo a fonte, a referida carta, com data de 9 de Julho de 2019, foi enviada ao Serviço Nacional de Recuperação de Activos pelo Serviço de Informação e Segurança do Estado. E nela, o Sinse dá conta que Isabel dos Santos teria contactado um empresário dos Emirados Árabes Unidos no sentido de comprar a sua participação na Unitel e que “o referido empresário teria solicitado serviços remunerados de oficiais da Interpol Angola no sentido de efectuarem um levantamento da actual situação da Unitel”.

“O empresário em causa estará disposto a rumar para Luanda do seu jacto privado tão logo a informação de que precisa esteja disponível para operacionalizar o negócio”, lê-se na carta em que o Sinse acrescenta que não se devia perder de vista que se estava perante “uma via através da qual Isabel dos Santos procura desfazer-se desta participação com fito de se evadir das instâncias da Justiça em Angola”.

Isabel dos Santos considera “uma história completamente falsa e inventada pelo Sinse” e aponta lacunas da carta que consta no processo como segunda das duas provas da suposta tentativa de dissipação do património. Entre as lacunas da referida carta, destaca que “não tem carimbo”, “não tem nome do senhor árabe” e também “não tem nome dos agentes da Interpol”. A equipa da empresária considera ainda a carta “omissa” por não conter nem “datas nem informação de quando ou aonde” Isabel dos Santos se reunira com o alegado árabe.

O documento consta no processo como segunda das duas provas apresentadas pela PGR ao Tribunal da suposta tentativa de Isabel dos Santos dissipar os seus activos. A primeira prova é referente à pretensa intenção de Isabel dos Santos investir no Japão, suportada “com um conjunto de corresponde postal e electrónica sobre um falso investimento e uma cópia de um alegado passaporte”, alvo de denúncia, na semana passada, por Isabel dos Santos. “Este negócio no Japão não existe e é uma farsa inventada pelo Sinse. A Prova 1 e a prova 2 são ambas fabricadas pelo Sinse”, insiste a empresária.