Governo angolano ainda não negociou emissão de Eurobonds


O Governo não desencadeou qualquer negociação para a emissão de Eurobonds (títulos de dívida em moeda externa) de até três mil milhões de dólares autorizada, a 18 de Março, por um Decreto Presidencial.

Segundo fonte do Jornal de Angola, depois do decreto, que autoriza a ministra das Finanças a negociar a emissão, as autoridades aguardam por um momento mais favorável do mercado, no qual, devido à conjuntura causada pela pandemia do novo coronavírus, os investidores estabelecem condições gravosas para a dívida dos Estados africanos. 

O Governo, adiantou a fonte, ainda não iniciou a negociação, não podendo falar-se no adiamento noticiado na terça-feira pela imprensa internacional, pois as notícias referiam o mês de Setembro, até mesmo o próximo ano como prazos para a emissão de títulos de dívida soberana, na sequência da queda dos preços do petróleo e da pandemia do Covid-19.


As taxas de juro exigidas pelos investidores para transaccionarem a dívida de Angola com maturidade a 2025 rondam os 23,5 por cento, o triplo do valor registado no princípio do mês, de acordo com números da Bloomberg, que escreve que o mercado financeiro está, na prática, fechado para os emissores africanos devido aos receios dos investidores.


A emissão autorizada a 18 de Março é a quarta em que Angola contrata dívida por essa via desde 2015, quando o Governo angariou 1,5 mil milhões de dólares com uma taxa de juro de 9,5 por cento, numa procura total de 7,5 mil milhões. Depois, em 2018, Angola colocou 1,75 mil milhões a dez anos, com uma taxa de juro de 8,25 por cento, e mais 1,25 mil milhões a 30 anos, pagando juros de 9,375 por cento.


No ano passado, o Governo colocou três mil milhões de dólares, a dez e a 30 anos, com taxas de juro de 8,00 e 9,12 por cento, respectivamente.