Gestão de Crise da Pandemia do novo corona vírus azeda relações entre MINSA e MININT


A gestão da crise da pandemia do corona vírus tem gerado uma guerra aberta entre os ministérios da Saúde e do Interior.  Apesar da coordenação estar a cargo do Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, à luta  verifica-se nos dois sectores, por via dos responsáveis pelos sectores da comunicação.

Ultrapassada que está a polémica em torno dos voos de Lisboa e Porto, quando Celso Malavoloneke, alegado consultor da Ministra da Saúde, apontado por alguns sectores do MININT como o responsável pelo vazamento nas redes socais da lista dos passageiros VIP daqueles voos, as coisas subiram de tom nos últimos dias por conta das declarações feitas pelo Porta-voz dos Serviços de Defesa e Segurança, Waldemar José, que numa das habituais conferências de imprensa sobre o ponto de situação da covid 19, revelou a identidade de algumas individualidades acusadas de ter violado a cerca sanitária.

Celso Malavoloneke, conhecido pelo seu sarcasmo, usou as redes sócias para criticar a actuação do Porta-voz do Ministério do Interior.

Num texto intitulado: “Comunicação de crise-A porrete não chegamos lá”, o demitido Secretário de Estado da Comunicação Social, escreve que “o MININT e a PN devem prestar a devida atenção ao desconforto que a Sociedade manifesta em relação à exposição de entidades por alegadamente violarem o distanciamento social ditado pelo EE”.

Segundo Malavoloneke, “não é que estas entidades estejam certas. Pelo contrário, a sua responsabilidade é acrescida. Mas a ligeireza com que o porta-voz da PN FAZ exposição da privacidade dos cidadãos mexe com direitos fundamentais que ninguém quer perder. Pode-se atingir o mesmo objectivo pedagógico sem reverter a métodos tão polémicos”.

O comunicólogo vai mais longe. “A PN deveria também rever o seu porta-voz. Como comunicador em situação de crise, é péssimo. A sua comunicação é altiva, quase arrogante, com laivos narcisistas (vaidoso) e passa a mensagem que só está à espera do menor motivo para arrear o pau. Essa mensagem é contraproducente num contexto de medo geral acrescido de frustração do confinamento, receio de perca de rendimentos e, nalguns casos, fome mesmo. Deveriam substituí-lo por alguém mais consensual, tranquilizante, compassivo e, porque não dizê-lo, mais carinhoso, nesmo quando transmite as más notícias. É que, em Comunicação, especialmente de Crise, o mais importante não é o que se transmite; é como se transmite...”, concluiu.

Em reação, Waldemar José, acusou Malavoloneke de ter encomendado textos contra o MININT e o seu titular. “É perfeitamente normal que ele faça esses comentários. Contudo, eu estou pronto para outras missões, caso já não sirva para o exercício das actuais missões”, conclui.