Desvalorização do kwanza faz tremer a banca portuguesa


Os bancos de matriz portuguesa a operar em Angola deverão, pela primeira vez este ano, ver consolidada a solidez dos seus lucros convertidos em euros, depois de o Banco Nacional de Angola (BNA) ter abandonado o monopólio do repatriamento de dividendos.

Segundo o Jornal Expresso, a liberalização da gestão do mercado cambial está, no entanto, a ser avaliada com reservas em diversos meios financeiros perante a permanente desvalorização do kwanza face ao dólar ou ao euro.

De acordo com a fonte, apesar de ter registado um incremento em moeda angolana (21.383.057.000 kwanzas em 2019 contra 20.548.879.000 em 2018) o lucro líquido do Banco Caixa Totta Angola (BCTA) em euros em 2019 (€40 milhões) foi inferior ao resultado apurado em 2018: €58 milhões.

“Temos reservas em relação à liberalização da gestão cambial devido à prevalência de discrepâncias entre a data do apuramento dos resultados líquidos e a data da transferência dos dividendos”, explicou ao Expresso fonte do BCTA, detido em 51% pela Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O mercado tem sido fortemente afetado não só pela desvalorização do kwanza em relação ao dólar, que entre 2018 e 2019 atingiu 33%, como pela inflação, que há dois anos era de 18,6% e no final do ano passado estava nos 16,9%. Neste primeiro trimestre chegava aos 17,29%.

Do lucro líquido de 2019, o BCTA decidiu distribuir aos acionistas, a 31 de dezembro último, apenas 50% desse montante, dos quais €10 milhões cabiam à CGD.

Já o Banco de Fomento Angola (BFA), registou uma queda histórica nos resultados que passaram em 2018 de €643,5 milhões para €312,4 milhões em 2019.

Detentor da maior carteira de títulos da dívida pública, durante anos, para o BFA, o financiamento ao défice do Estado constitui a sua principal fonte de capitalização.

O Banco Millennium Atlântico (BMA), com um crescimento de 12% face a 2018, registou um resultado líquido de €74 milhões com um rácio de solvabilidade de 14,5%.

Os acionistas do BMA decidiram, por outro lado, congelar, pelo segundo ano consecutivo, a distribuição de dividendos preconizando um reinvestimento dos lucros para poder fazer face aos desafios da crise financeira e pandémica que atinge o mundo e Angola.

No que toca ao Finibanco, detido em 51% pelo Montepio, se em 2017 e 2018 os seus lucros em Angola ajudaram a retirar do vermelho os resultados do Montepio em Portugal, no final do ano passado a sua contribuição atingiu os €9 milhões.