Covid-19 obriga famílias pobres a adoptar novos hábitos alimentares


Com poucos recursos financeiros e limitação na circulação, as famílias que vivem em extrema pobreza nas periferias de Luanda adoptaram novos hábitos alimentares. A Kizaca, o peixe lambula e até a "areia" (mistura de fuba de bombom com açúcar) são pratos que embelezam a mesa. 

A nova "dieta alimentar" é, para os mais novos, uma novidade, mas para quem viveu, em Luanda, os confrontos militares de 1992, está apenas uma "reedição" da vivência e dos tempos da fome.

Quem ainda pode adere o fenómeno "sócia", em que duas ou mais pessoas juntam-se para comprar um bem alimentar em maior quantidade, geralmente saco arroz de 25 a 50 quilos, caixa de massa alimentar ou de frango, para depois dividirem. Um exemplo que Telma Manuel segue, para não forçar o bolso.

A  E&M constatou, no mercado Mundial, em Cacuaco, a correria pela busca dos produtos do mar, com destaque para o peixe lambula, um dos produtos mais acessíveis para as famílias pobres. "É importante que nos ajudem, nós não temos o que comer. Prefiro morrer de doença a morrer de fome", disse, uma mulher que comprava peixe.

O período de Estado de Emergência foi prorrogado por mais 15 dias, a contar da meia-noite do adia 11. Para garantir o consumo de bens alimentares da cesta básica às famílias mais vulneráveis foram disponibilizados recursos no total de 315 milhões de kwanzas para o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, que com os Governos Provinciais desenvolve campanhas de distribuição de bens da cesta básica para segmentos da população mais vulnerável. Essa foi uma das decisões saídas da reunião de ontem da Comissão Económica do Conselho de Ministros. Entretanto, nos próximos quinze dias, as restrições de venda ambulante e nos mercados informais foram atenuadas, sendo que os cidadãos que se dedicam a essas actividades poderão exercê-la trezes por semana, nomeadamente às terças, quintas e sábado.

Recorde-se que o relatório sobre a pobreza multidimensional em Angola, do Instituto Nacional de Estatística  (INE), indica que nove em cada 10 pessoas são pobres em 40% dos municípios do país. Já segundo o Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREIA 2018-2019), também realizado pelo INE, a incidência de pobreza em Angola é de 41%, afectando perto de 12 milhões de pessoas.

E&M