Conflito de interesses "embaraçam" gestão do Banco do MPLA


Banco Sol está apostado numa nova estratégia, mas dificilmente deixará de ser uma dor de cabeça para o sistema bancário angolano, revela o Jornal Expresso.

Entretanto, o antigo secretário de Estado das Finanças que dirigiu a Comissão Executiva nos últimos 9 meses, remeteu aos acionistas, antes de abandonar em fevereiro a instituição, um relatório onde destapa “os graves problemas de solvabilidade e de liquidez” do banco, com “origem na má qualidade da carteira de crédito e nos elevados custos de estrutura”.

De acordo com o relatório de Mário Nascimento,  o Banco Sol regista preocupantes conflitos de interesses traduzidos na atribuição de créditos, sem garantia, a empresas dos acionistas. “Alguns funcionários eram incentivados a adquirir créditos junto da instituição para viabilizar projetos imobiliários de clientes e outros custos eram agravados ao ser proporcionado aos administradores e aos diretores doações de viaturas quando nomeados ou 150 mil dólares para a compra de habitação”, lê-se no documento.

Os conflitos de interesses estendem-se à incorporação na sua estrutura de negócios de empresas de acionistas e de administradores como fornecedoras do banco.

O relatório revela ainda que alguns investimentos em imóveis, com recurso a valores tomados no mercado interbancário, chegaram a ter como fonte liquidez que o banco não tinha.Outra crítica prende-se com a reestruturação e apetrechamento do edifício sede por cerca de 18 milhões de dólares, num investimento que acabou por tornar “excessivo o peso dos ‘outros ativos tangíveis’ no total do ativo”.

Reagindo as alegações do Ex.CEO do Sol, Coutinho Nobre  Miguel, presidente do conselho de administração, em declarações ao Expresso, garante que “o banco tem monitorizado sempre com rigor a sua carteira de crédito de forma a evitar a ocorrência de imparidades acentuadas”.

O Gestor  reconhece a atribuição de créditos a colaboradores no âmbito da “responsabilidade social a que o banco se obriga”, nega o envolvimento de “empresas do universo de acionistas como fornecedores” e garante a “contratação no mercado dos serviços de melhor qualidade técnica e custos”.

Os peritos da EY mostram-se, porém, preocupados com a elevada concentração de crédito nos 20 maiores devedores, com especial destaque para o Entreposto Aduaneiro de Angola, cuja exposição ultrapassava 25% dos fundos próprios nos primeiros quatro meses deste ano.

Criado em 2001, o  Banco Sol é detido em 51% pela Sansul, uma participada da GEFI, a holding do MPLA. Outros accionistas são a  Fundação Lwini, com 10%, Noé Baltazar (5,42%), a ex-primeira-dama de Angola, Ana Paula dos Santos (5,4%), a Sociedade Comercial Martal, Lda. (5,42%), o antigo ministro das Finanças Júlio Bessa (4,17%), Coutinho Nobre Miguel (3,91%), António Mosquito (6,33%), e AZURY, SA (5,42%).