Circulação rodoviária "caótica" no Lobito


As más condições das estradas da cidade do Lobito estão a provocar o "caos" na mobilidade rodoviária e os automobilistas reivindicaram, nesta terça-feira, melhorias na circulação automóvel, naquele município no litoral da província de Benguela.

Segundo os automobilistas ouvidos pela Angop, água, em determinados pontos, poeira, buracos e lama, condicionam a circulação de veículos, sobretudo nas avenidas Sócrates Dáskalos, Correia Victor, Salvador Correia e no troço ascendente do bairro Bela Vista, na Estrada Nacional EN100, devido à falta de manutenção.

Perante este cenário, o automobilista Agostinho Cavaya, visivelmente agastado com os congestionamentos à hora de ponta, nos últimos dias, solicita a intervenção do governo de Benguela na reabilitação dessas vias urbanas para melhorar a circulação rodoviária.

“Estamos há anos a viver essa situação, mas pagamos taxa de circulação”, ressalta o condutor, ao volante de uma viatura ligeira. E queixa-se, ainda, do desgaste das peças dos veículos, sobretudo os rolamentos de cubo das rodas, pneus, alternadores e terminais de suspensão, o que, a seu ver, aumenta os gastos com a manutenção.

 

Também Manuel Camuenho, que só está de passagem pela cidade, reagiu ao caos que se vive e receia que, se nada for feito, o trânsito automóvel vai mesmo piorar, uma situação que, como disse, seria triste para uma cidade como o Lobito, que já estava a ganhar outra imagem urbanística.

 

Mais contundente na sua opinião, André Paulo descreve o ambiente rodoviário no Lobito com três palavras: “difícil, péssimo e horrível”, mas ao mesmo tempo reclama dos prejuízos materiais, decorrentes do mau estado das estradas, que são incalculáveis e pesam mais no bolso dos automobilistas.

 

Os pneus e terminais de suspensão duram muito pouco. Por isso, André Paulo só pede ao Estado que olhe “com os olhos de ver” para a dura realidade por que passam diariamente os “homens do volante” e que canalize as receitas da taxa de circulação na recuperação das estradas do Lobito.

 

Já o engenheiro ambiental Isaac Sassoma pensa que a letargia das autoridades locais indicia falta de recursos financeiros da Administração Municipal do Lobito para reabilitar as estradas, tendo em conta a real dimensão do problema.

 

“Se não há dinheiro, nada será feito”, referiu o académico, considerando, porém, insignificantes as acções paliativas para melhoria da circulação automóvel.

 

O também mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente aponta, por exemplo, o acesso ao Bairro São João, que está praticamente intransitável. Daí, já não acreditar que o Lobito seja a “sala de visitas de Angola”, face à poeira e aos buracos que quase “engolem” os veículos ligeiros nas estradas da Zona Baixa e Alta da cidade.