Chineses desistem da compra do BNI Europa


Grupo de Hong Kong aponta para "circunstâncias relacionadas com o atual contexto de incerteza que afeta a economia internacional, e em particular o sistema financeiro”, para deixar cair compra do português BNI Europa. 

Forte mudança de planos na vida do banco português BNI Europa. O banco, atualmente em mãos angolanas, já não vai passar para o controlo de um grupo chinês. O comprador desistiu, tendo em conta a atual incerteza causada pela pandemia de covid-19.

Em comunicado enviado às redações, o BNI Europa refere que o grupo chinês KWG já não vai comprar o banco, como estava previsto há mais de dois anos: “O Banco BNI Europa informa que, apesar de terem sido cumpridas todas as condições para a concretização da operação de alienação de uma participação de 80,1% do respetivo capital social, o prospetivo adquirente comunicou ao vendedor a sua intenção de não honrar o contrato de aquisição de participação qualificada celebrado em dezembro de 2017”.

As justificações invocadas pelo grupo chinês são, segundo o banco português, “circunstâncias relacionadas com o atual contexto de incerteza que afeta a economia internacional e, em particular, o sistema financeiro”.

Os chineses iriam comprar a grande maioria do capital que está hoje nas mãos do angolano BNI, de Mário Palhares, ex-vice-governador do supervisor Banco Nacional de Angola (93%). O banco está desde 2016 a tentar vender a sua participação.

A entidade portuguesa tem vindo a realizar aumentos de capital, com o dinheiro a ser injetado pelo seu acionista angolano. Ainda em março foram colocados 4,4 milhões de euros. Só que a expectativa era de que todo o montante (15 milhões) viesse a ser colocado pelo banco chinês. Já não vai acontecer.

“Neste contexto, o conselho de administração do Banco BNI Europa e o Banco BNI, seu acionista único, irão proceder à revisão do plano de negócios do banco, adequando-o às novas circunstâncias e ao atual momento da economia mundial. O Banco BNI Europa pretende continuar a afirmar-se como uma referência na nova geração ‘fintech’ na banca europeia através da introdução de inovação e do preenchimento de segmentos e oferta direcionadas a clientes com necessidades que não estão a ser atendidos pelos demais operadores financeiros do mercado”, indica o comunicado.

O BNI Europa foi notícia recentemente por várias polémicas. Primeiro por conta do construtor José Guilherme, que esteve para ser seu acionista aquando da sua criação, em 2013/2014. Não o foi mas o caso motivou buscas judiciais no ano passado. Além disso, o BNI Europa é também alvo de inquéritos por parte do Banco de Portugal por falhas no combate e prevenção ao branqueamento de capitais. O BNI Angola é o banco com que o Banco Montepio está a negociar a fusão do seu Finibanco Angola.

Este não é o único falhanço de vendas de bancos portugueses este ano. Segundo noticiou o Jornal Económico, o grupo australiano Pepper desistiu também da aquisição do Banco Primus mas, neste caso, foi porque a autorização do Banco Central Europeu (BCE) estava há mais de dois anos por chegar.

Expresso