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Nomeação de Trovoada como enviado especial da UA para a Guiné‑Bissau gera polémica

Muitos guineenses torceram o nariz à indicação de Patrice Trovoada como enviado especial da União Africana (UA) para a crise política na Guiné-Bissau.

O presidente da comissão política do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na Alemanha, Pedro Jandi, confessa que não estava à espera e acha incompreensível a indicação. “Deveria ser uma pessoa experimentada e com provas dadas a mediar a situação da Guiné-Bissau”, comenta em declarações à DW.

Para Jandi, Trovoada “não fez um bom trabalho” como primeiro-ministro em São Tomé e Príncipe. Portanto, “como seria capaz de servir outro país?”

A nomeação foi um balde de água fria também para analistas políticos em São Tomé. “É verdade que, à primeira vista, deveria ser algo que poderia nos orgulhar. Afinal, não é todo o dia que temos um são-tomense a ter tamanha missão”, comenta Arzemiro dos Prazeres.

Mas, “infelizmente, essa nomeação está envolvida numa série de problemas”, acrescenta.

Por um lado, “há uma certa rejeição em São Tomé e Príncipe, porque não conseguimos compreender como alguém que está a promover quase um caos no país [e] a provocar a disfuncionalidade da Assembleia, vai mediar algo de tamanha importância”. Por outro lado, continua o analista, há também críticas à suposta “amizade” de Trovoada “com o outro lado da contenda”.

Pedro Jandi, do PAIGC, aponta igualmente para essa alegação de proximidade entre Trovoada e Sissoco Embaló, ex-Presidente guineense e acusado de ser o orquestrador do caos na Guiné-Bissau. Por isso, o político apela aos representantes legítimos do povo que reajam à nomeação.

“Está claro que há aí um conluio entre ambos para continuar a sufocar a Guiné-Bissau. E isso não vamos aceitar”, garante.

Jandi argumenta: “Não podemos ser impingidos alguém que venha pura e simplesmente cumprir a agenda de alguém que se autogolpeou. Portanto, não podemos aceitar”.

Patrice Trovoada tem visto o seu nome associado a váriosescândalos financeiros, incluindo supostos desvios de fundos, lavagem de dinheiro e má gestão de verbas, como no âmbito da pandemia da Covid-19.

O analista Arzemiro dos Prazeres reconhece que o político não goza “de bom nome”, mas “enquanto não for provado e transitado em julgado há presunção de inocência”.

Jogaria a favor de Trovoada como enviado especial da União Africana para a Guiné-Bissau a forte aceitação política e a experiência enquanto governante.

Arzemiro dos Prazeres destaca parcialmente o seu capital político: “É alguém que tem politicamente uma parte do eleitorado, sem dúvida nenhuma, mais ou menos 25% a 30% dos eleitores. Há gente que vota no Patrice Trovoada, haja chuva ou haja sol. Mas é uma figura que tem rejeição política, já foi primeiro-ministro quatro vezes e há muito pouca herança do que tenha feito”.

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