A Câmara Africana de Energia (CAE) apelou à indústria que representa e à comunidade internacional “que prestem o máximo apoio” à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sublinhando a importância da estabilidade “num momento em que o futuro económico e energético” daquele país “está em jogo”.
Em comunicado, a organização refere que a base de recursos da Venezuela, que detém uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, tem “potencial para transformar a trajetória económica do país, reconstruir infraestruturas e restaurar a segurança energética”. Contudo, acrescenta, a “realização desse potencial dependerá de uma governação previsível, de uma gestão responsável dos recursos e da criação de quadros contratuais mutuamente benéficos que incentivem o investimento a longo prazo”.
Nesse sentido, a AEC justifica o apoio a Rodríguez, até então ministra do Petróleo e com quem “mantém desde há muito uma forte relação de trabalho”, como um incentivo à “unidade, a continuidade institucional e uma agenda de desenvolvimento orientada para o país”.
Segundo o organismo sediada em Joanesburgo, a governante venezuelana “há muito que apoia o direito de África a utilizar os seus recursos petrolíferos para melhorar a vida dos seus povos”. Através da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), a sucessora de Nicolás Maduro “desenvolveu fortes laços internacionais com África”.
“Este é o momento de continuar a encorajar toda a gente a investir na Venezuela. Apelamos aos Estados e líderes africanos, bem como ao Sul Global, para que deem apoio à presidente em exercício e ao povo venezuelano no momento em que determinam o seu futuro, a sua soberania e a forma como pretendem proceder”, reagiu NJ Ayuk, presidente executivo da CAE, citado na mesma nota.
Ainda segundo o advogado camaronês, que lidera a organização que representa o setor energético desde 2018, “o setor e a comunidade internacional devem unir-se neste momento crítico”: “a Venezuela tem uma riqueza natural extraordinária e a lição de África é clara: quando se dá prioridade à estabilidade e se permite que o setor da energia funcione de forma responsável, os hidrocarbonetos podem impulsionar a recuperação, a unidade e o desenvolvimento a longo prazo”.
Na mesma nota, a CAE, que elegeu em 2025 o Presidente angolano, João Lourenço, como Personalidade do Ano no setor da Energia, é “importante salientar que a Venezuela não está isolada do diálogo energético do Sul Global”. “Como membro fundador da OPEP, a Venezuela liderou a inclusão de países africanos na organização, reconhecendo o seu papel na estabilização dos mercados globais de energia”, e, “como Membro Honorário da Organização Africana de Produtores de Petróleo, o país há muito que reconhece o valor da cooperação Sul-Sul, da partilha de conhecimentos técnicos e das abordagens coletivas ao desenvolvimento de recursos. Esta relação sublinha o alinhamento da Venezuela com as nações produtoras que vêem os hidrocarbonetos não como um passivo, mas como uma ferramenta de desenvolvimento capaz de impulsionar a industrialização, a segurança energética e o progresso social quando gerida de forma responsável”, acrescenta o mesmo comunicado.







