Emília Carlota Dias vai tornar-se na quarta secretária-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), quando for eleita, este fim-de-semana, durante o VIII Congresso Ordinário deste organismo. O conclave, agendado para 28 de Fevereiro a 1 de Março, em Luanda, vai eleger a liderança para o mandato 2026-2031.
Emília Carlota Dias foi validada como candidata única ao cargo, em Janeiro último, pelo Bureau Político do MPLA. Actual deputada à Assembleia Nacional, Emília Carlota Dias já exerceu o cargo de 1.ª vice-presidente do Parlamento, função para a qual foi eleita em 2018, tendo assumido, à época, a segunda posição na hierarquia da Assembleia Nacional.
Iniciou o seu percurso político na JMPLA e tem participado em fóruns internacionais, como a União Interparlamentar, em que defende maior inclusão das mulheres nos processos de decisão. A sua proposta de liderança assenta em linhas de força centradas no empoderamento feminino, no fortalecimento económico e social da mulher, no apoio à mulher camponesa, na promoção da formação profissional e no incentivo ao empreendedorismo e à gestão responsável da renda familiar.
Nos primeiros anos após a fundação, em 1962, a liderança da OMA apresentava carácter descentralizado, com várias coordenações regionalizadas sob supervisão de Deolinda Rodrigues (Mãe da OMA), figura emblemática da organização durante a luta de libertação nacional. Ainda em 1962, o Comité Director do MPLA atribuiu a presidência da OMA a Mariana Anapaz “Manana”, que exerceu funções entre 1962 e 1964. Reconhecida como uma das organizadoras dos ataques de Fevereiro de 1961, em Luanda, destacou-se como símbolo da mulher guerrilheira. Entre 1964 e 1965, a liderança coube a Catarina Garcia Bernardes “Zinha” de Jesus, seguindo-se Lucília Evelize do Sacramento “Zizi” Neto (1965–1966). Mais tarde, Maria Martins Carlos assumiu como Coordenadora Nacional entre 1969 e 1972.
Em 1972, Luzia Inglês Van-Dúnem foi indicada para reorganizar a OMA. No mesmo período, Ruth Neto assumiu funções de Coordenadora Nacional entre 1972 e 1974. A coordenação voltou a Luzia Inglês entre 1974 e 1977, seguiu-se Maria Martins Carlos (1977–1978) e, novamente, Ruth Neto, entre 1978 e 1983. Pós-independência Com a Independência Nacional, proclamada a 11 de Novembro de 1975, a OMA consolidou-se como principal espaço de activismo feminino no quadro governativo. Em 1983, Ruth Neto, então Coordenadora Nacional, foi eleita Secretária-Geral da organização e presidente do seu Comité Nacional.
Foi reeleita em 1988 e, posteriormente, em 1993. Durante a década de 1980, a OMA atingiu cerca de 1,8 milhão de membros, número que reduziu para menos de 1,3 milhão em 1987, em consequência da violência rural e da instabilidade provocadas pela guerra civil. Ainda assim, o período ficou marcado pela aprovação das primeiras leis antidiscriminação e pelo reforço das políticas de alfabetização feminina.
Em 1999, Luzia Inglês Van-Dúnem foi eleita Secretária-Geral, substituindo Ruth Neto. Foi reeleita em 2005, 2011 e 2016, protagonizando o mandato mais longo da história da organização. Em 2021, Joana Tomás assumiu a liderança da OMA, sucedendo a Luzia Inglês após mais de duas décadas à frente da organização, num período orientado para o empoderamento económico e a renovação geracional das militantes.
Perfil da candidata Emília Carlota Dias
Emília Carlota Dias, de 54 anos, é militante do MPLA desde 1998, com trajectória consolidada nas estruturas partidárias e institucionais do país. Membro do Comité Central do MPLA desde 2003, integra igualmente o Bureau Político do Comité Central.
No quadro das responsabilidades partidárias, exerce funções como coordenadora do Grupo de Acompanhamento do Bureau Político à província do Uíge e coordenadora-adjunta do Grupo de Acompanhamento da Organização da Mulher Angolana à província da Huíla.
Natural da província do Namibe e mãe de três filhos, participou na 1.ª, 2.ª e 3.ª Reuniões Metodológicas sobre a Organização do Trabalho do Partido, promovidas pela Direcção Central do MPLA, em 2002, 2003 e 2005. Nessas ocasiões, integrou comissões responsáveis pela elaboração de documentos orientadores, com contributos para a actualização das linhas programáticas do partido. Serviço parlamentar e liderança política Foi eleita deputada à Assembleia Nacional em 2008, pelo Círculo Eleitoral Nacional do MPLA, com recondução nos pleitos de 2012, 2017 e 2022.
Ao longo do percurso parlamentar, desempenhou as funções de segunda-secretária da Mesa da Assembleia Nacional (2008–2012), primeira-secretária da Mesa (2012–2017) e 1.ª vice-presidente da Assembleia Nacional (2018–2022). É membro da 7.ª Comissão de Trabalho Especializada, que trata de matérias ligadas à Cultura, Assuntos Religiosos, Comunicação Social, Juventude e Desportos, desde 2022.
Integrou ainda a Assembleia Constituinte e figura entre os subscritores da Constituição da República de Angola, promulgada a 5 de Fevereiro de 2010. Distinções e reconhecimento Pelos contributos prestados ao partido e ao país, foi condecorada com a Medalha Comemorativa dos 50 anos do MPLA ao Serviço do Povo Angolano.
Recebeu a Medalha “17 de Setembro” e o Diploma de Mérito de 2.º Grau “Comandante Hoji-ya-Henda”. Em 2025, foi distinguida com o prémio “Mulher de Mérito”, atribuído pela revista político-informativa “Telegrama”, que a incluiu entre as 100 mulheres mais influentes de Angola. No mesmo ano, recebeu condecoração na Classe Paz e Desenvolvimento, no âmbito das celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional.
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