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Investimento de Angola na De Beers pode chegar aos 690 milhões de dólares 

Angola está a avaliar a aquisição de uma participação minoritária na De Beers, no quadro de uma estratégia de reforço da sua posição no mercado internacional de diamantes e de reorganização interna do sector.

A oportunidade surge num momento em que a Anglo American, que detém 85% da De Beers, intensifica o seu plano de reestruturação e procura alienar a subsidiária. Os restantes 15% pertencem ao Governo do Botsuana.

A operação poderá ser concretizada através da Endiama, empresa pública angolana de diamantes. Com a De Beers atualmente avaliada em cerca de 2,3 mil milhões de dólares, Angola poderá ter de investir entre 460 e 690 milhões de dólares para assegurar entre 20% e 30% do capital, dependendo das condições negociais finais.

O mercado internacional dos diamantes atravessa um ciclo de contração, o que levou à desvalorização da empresa nos últimos três anos. Em 2024, a De Beers gerou uma imparidade de 2,9 mil milhões de dólares para o grupo Anglo American, depois de já ter registado uma desvalorização contabilística de 2,6 mil milhões em 2023.

Aliança estratégica regional

Para Luanda, o principal desafio passa por encontrar uma plataforma de entendimento com o Botsuana. No entanto, ao abdicar de uma posição maioritária, Angola poderá facilitar um acordo entre os dois Estados.

Angola e Botsuana são, respectivamente, os dois maiores produtores africanos de diamantes. Uma eventual convergência estratégica permitiria aos dois países reforçar a sua capacidade de influência sobre os preços internacionais e mitigar a volatilidade do mercado, incluindo a crescente concorrência dos diamantes sintéticos.

A este eixo poderá juntar-se a Namíbia, terceiro maior produtor africano. A exploração diamantífera namibiana é realizada através da Namdeb Holdings, uma “joint venture” detida em partes iguais pelo Estado namibiano e pela De Beers. O Governo da Namíbia manifestou disponibilidade para adquirir entre 10% e 15% da empresa.

Neste enquadramento, uma articulação entre Angola, Botsuana e Namíbia poderia consolidar um bloco regional com maior capacidade de intervenção no mercado internacional de pedras preciosas.

Reorganização do sector diamantífero angolano

O interesse angolano na estrutura accionista da De Beers insere-se num processo mais amplo de reorganização do sector, intensificado após a saída da russa Alrosa da Sociedade Mineira de Catoca, na sequência das sanções internacionais impostas a Moscovo após a invasão da Ucrânia.

Após ter estado afastada do país durante vários anos, a De Beers regressou a Angola em 2022, assinando contratos de investimento para a prospecção e exploração nas províncias da Lunda Norte e Lunda Sul.

Tanto Angola como a Anglo American demonstram interesse em acelerar o processo. Para o grupo britânico, a venda é uma peça central da sua reestruturação e permitirá reduzir perdas acumuladas, bem como avançar com outros movimentos estratégicos, incluindo a fusão com a canadiana Teck Resources.

O CEO da Anglo American, Duncan Wanblad, já admitiu esperar que um acordo possa ser assinado até ao final do ano.

Para Angola, a entrada no capital da De Beers representaria não apenas um investimento financeiro, mas um passo estratégico para reforçar a soberania económica e a influência africana na cadeia global de valor dos diamantes.

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