Pressionadas pela instabilidade da política comercial da Administração Trump e pela retração no consumo, as exportações de vinhos portugueses para os Estados Unidos da América (EUA) caíram 25,7% em 2025, para €75,8 milhões. São menos €26 milhões num ano, mas esse impacto “foi parcialmente compensado noutros mercados, o que permitiu ao sector fechar 2025 com exportações de €953,5 milhões, apenas 1,09% abaixo de 2024”, sublinha Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal.
Os EUA, que disputavam com França a liderança no ranking dos maiores mercados do vinho português, acabaram no terceiro lugar, atrás do Brasil, onde as exportações também perderam gás (-6,9%), ficando abaixo dos €80 milhões. “Foi um ano difícil para os nossos vinhos”, admite o dirigente, sublinhando que a quebra é transversal aos grandes exportadores mundiais e, entre eles, “Portugal é o único a crescer em volume (1%)”.
Pela positiva destaca-se Angola, o sexto mercado dos vinhos portugueses, com €50 milhões (+13,9%). Ultrapassou o Canadá e a Alemanha e vai merecer mais atenção no programa de promoção internacional do sector. “Não vamos alterar as nossas prioridades, mas vamos voltar a Angola, que não tínhamos sinalizado”, adianta.
Os Emirados Árabes Unidos também estão a crescer 21,8%, “talvez por passar por lá vinho que tem como destino final a Rússia”, admite, com uma nota para a descida de seis lugares da Rússia na lista dos maiores clientes dos vinhos nacionais: perdeu 21,6%, ou €9 milhões, devido à retaliação do Kremlin contra os “países hostis” devido aos pacotes de sanções impostos pela União Europeia desde o início do conflito na Ucrânia, e é agora o 13º mercado luso.
Espanha cresceu 2,3%, mas paga apenas €1,23 por litro, abaixo dos €1,35 de Angola, longe dos €3,97 dos EUA e dos €3,07 do Brasil, refere, confirmando que o preço médio está a ser penalizado (em 2025 caiu 2,15%, para €2,80). Está, no entanto, confiante “na capacidade de recuperação de alguns mercados”. “Esta semana temos 300 produtores na Wine Paris, a primeira grande feira do sector, e está a correr muito bem”, garante o presidente da ViniPortugal.







