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E-mails de Epstein com cerca de 200 referências a Angola

A correspondência privada de Jeffrey Epstein, um antigo lobista e investidor com ligações familiares a Israel e nacionalidade norte-americana, que morreu na prisão, nos EUA, em 2019, inclui cerca de 200 referências a Angola, sem quaisquer indícios de envolvimento de cidadãos angolanos na prática de crimes ou acções ilícitas.

A maior parte dos documentos divulgados que envolvem Angola, enviados desde 2003, são peças noticiosas ou boletins informativos sobre a cotação diária, investimentos, licitações e produção de petróleo e outras matérias-primas de alto valor.

São também visíveis trocas de informações, como pedidos de números de telefone ou de acesso às elites locais, com o objectivo de apresentar propostas para a concretização de negócios, sobretudo antes de 2014, quando Angola registou as maiores taxas de crescimento da economia desde 1975.

Nos 200 e-mails divulgados até ao momento, Isabel dos Santos também é referida em várias comunicações, sobretudo em partilha de notícias relativas à sua riqueza pessoal e aos negócios em que estava envolvida.

A determinada altura, em e-mails com data de 2013, uma terceira pessoa (não identificada), oferece-se a Jeffrey Epstein para servir de ponte para chegar a Isabel dos Santos, descrevendo a empresária angolana como sendo “hot” (bonita) e “smart” (esperta, atenta).

Também podem ser encontradas outras referências com ligação ao País, como é o caso do Banco Espírito Santo (BES) e do impacto da sua falência em Portugal, Angola e nos mercados financeiros em geral. Outra curiosidade está num catálogo de arte enviado a Epstein, com a indicação de compra de duas valiosas peças de origem angolana (cokwe, no caso), avaliadas em mais de 2.300 e 8.000 euros.

O caso de Jeffrey Epstein tem-se arrastado há largos anos, primeiro nos tribunais dos EUA (onde chegou a admitir a culpa nas acusações de financiamento à prostituição, incluindo menores de idade) e depois na imprensa e na arena política norte-americana e das elites globais. Hoje é um nome tóxico, que pode destruir a reputação de quem se relacionou com ele e as suas actividades.

Enquanto milionário, que deixou em testamento mais de 500 milhões USD e investidor, Epstein tinha acesso facilitado aos principais políticos, empresários, e estrelas mediáticas norte-americanas e de outras regiões, o que lhe garantiu um local proeminente de articulador de relações privilegiadas, jogadas promíscuas, festas estrondosas e negócios chorudos. No final de tudo, Esptein posicionava-se como um lobista de alto escalão, defensor das posições de Israel e das suas ligações a empresários e políticos, como estratégia de defesa e articulação internacional dos interesses daquele país.

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