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Missão da nova ministra da Educação gera fortes dúvidas

Até ao momento, o número real de crianças fora do sistema de ensino é desconhecido. O Presidente da República de Angola, João Lourenço, fala apenas em “taxa elevada” e não revela dados concretos.

Faltam poucos meses para o fim do mandato do Executivo de Lourenço e é neste período pré-eleitoral que o chefe de Estado atribuiu à nova titular da pasta a tarefa de integrar todas as crianças no sistema escolar.

O próprio Presidente reconhece a insuficiência de escolas no país. Paralelamente, Erika Aires deverá ainda melhorar a qualidade do ensino, preocupação partilhada por toda a sociedade angolana.

Ao discursar na cerimónia de passagem de pasta, na quarta-feira (11.02), Erika Aires – que substitui Luísa Grilo após seis anos à frente do Ministério – apontou como prioridades o acesso ao ensino e o recrutamento de novos professores.

“Sabemos que os desafios são muitos. Mas entre as nossas prioridades, destacamos o alargamento ao acesso ao ensino. Principalmente ao ensino primário. A melhoria das infraestruturas escolares, o reforço da contratação de professores e a valorização contínua dos profissionais da educação”, declarou.

Ademar Jinguma, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), não acredita que esta missão será cumprida: “Não sei se a ministra conseguirá em ano e meio, fazer aquilo que o próprio Presidente João Lourenço não fez em oito anos, porque, como a própria nova ministra sublinhou na sua entrevista, ela é uma mera auxiliar.”

“Embora o Presidente João Lourenço lhe tenha dado liberdade para bater a porta do seu gabinete para puder expor as preocupações, mas na educação não se fazem milagres da noite para o dia”, destaca Jinguma.

Para o sindicato, o elevado número de crianças fora da escola não está relacionado com o crescimento acelerado da população, como referiu o Presidente. O problema reside na incapacidade do Governo em responder às necessidades do setor.

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