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Seguro pede o apoio de “todos ” contra “o extremismo de quem semeia ódio”

Para António José Seguro, “em democracia nada está garantido” e a vitória na primeira volta não torna o combate com André Ventura nas próximas três semanas mais fáceis. Por isso mesmo, no discurso de vitória, o candidato apoiado pelo PS não perdeu tempo: tentou colocar-se como o candidato agregador, mesmo sem o apoio de Montenegro ou de todos os outros adversários à direita. 

Os apoios, diz, “estão a surgir” nas mensagens de Whatsapp e nas mensagens normais, “quer à esquerda” – Catarina Martins e Jorge Pinto já o assumiram – como “à direita e ao centro”. Assim, Seguro começa já a ensaiar o mote para a segunda volta: distanciar-se da marca socialista e posicionar-se como o principal alvo do voto útil. “Esta não é uma candidatura partidária, é a casa de todos os democratas. Todos os democratas são bem-vindos, aqui não há reserva de direito de admissão”, acrescenta. 

Quando Seguro entrou, em autêntica apoteose na sede de campanha nas Caldas da Rainha, Ventura ainda não tinha acabado de gritar “vitória” e de colar Seguro à herança de Sócrates e Costa, responsabilizando-os pelo caos na imigração – disse assim Ventura: “Seguro vai permitir que portas continuem abertas. Estas eleições também são sobre isso: imigrantes que vêm e as minorias que cá estão comigo vão ter de cumprir a lei”. 

Será essa uma das principais ideias que Seguro pretende combater, prometendo ser o “presidente de todos os portugueses” e não alinhar na ideia de “portugueses de primeira e de segunda”. “Convido todos os democratas, progressistas e humanistas a juntarem-se a nós para derrotarmos o extremismo e quem semeia ódio”, sublinha. 

Ao longo do discurso, Seguro, que assumiu a “natureza suprapartidária” da sua candidatura, foi também falando para o PS, o partido onde fez carreira desde os 18 anos e que hesitou antes de o apoiar – e falou para o PS distanciando-se dele: “Reafirmo com total clareza: sou livre, vivo sem amarras. E assim agirei como Presidente da República. Hoje, com a nossa vitória, venceu a democracia e voltará a ganhar no dia 8 de fevereiro”. 

Seguro, que se manteve afastado dos holofotes políticos após ter perdido a liderança do PS para António Costa, diz ter regressado “para unir os portugueses”. “Jamais serei um presidente de uma parte contra outras partes: com a vossa confiança serei o presidente de todos os portugueses”. 

Mas se foi a Ventura que dedicou a maior parte do ataque, o candidato vencedor da primeira volta não esquece o inquilino de São Bento, desferindo críticas ao estado da saúde em Portugal. “Trabalharei todos os dias para termos uma saúde a tempo e horas – a situação atual é inaceitável. Tal como é inaceitável que quase dois milhões de portugueses vivam numa situação de pobreza.”

Seguro espera ser um “Presidente dos novos tempos”, onde “o Estado funciona e a economia é mais competitiva, com melhores salários e empregos qualificado – há tanto para melhorar”.

Sobre a relação com Montenegro, deixa a tónica: “Tudo farei para que as relações institucionais não saiam afetadas quando, assim o espero, tomar posse”.

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