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Emirados têm 750 milhões para revitalizar indústria de celulose e papel em Angola

O setor da pasta de papel angolano deverá receber 750 milhões de dólares norte-americanos para um projeto industrial de celulose a ser desenvolvido nas províncias de Huambo e Benguela, onde em tempos existiu a Companhia de Celulose e Papel de Angola (CCPA).

Em causa está um contrato de intenção de investimento celebrado no final de dezembro entre a Aipex – Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola e a empresa Everwood- Investimentos e Comércio, que assegura o financiamento de uma unidade industrial que promete revitalizar o setor.

O projeto de investimento, que ronda os 750 milhões de dólares e tem origem nos Emirados Árabes Unidos (EAU), foi apresentado com o “objetivo de implantar um sistema florestal e industrial completo, sustentável e competitivo internacionalmente”. A iniciativa no setor agroindustrial, que será implementada de forma faseada e modular, “envolve o estabelecimento de plantações de eucalipto de forma sustentável e a construção de uma fábrica moderna de celulose, garantindo o abastecimento contínuo de matéria-prima, promovendo a industrialização local, gerando empregos e contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico sustentável do país”.

De acordo com o contrato, que foi assinado pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) da Aipex Arlindo das Chagas Rangel e pelo representante da Everwood Qiang Fu, CEO e fundador da empresa de plásticos Full Bliss Angola, com a implementação do projeto deverão ser criados 1.014 postos de trabalho naquelas províncias – 810 vagas para nacionais e 204 para expatriados.

O documento do projeto em questão consultado pelo JE ressalva que, “no futuro, os investidores manterão uma cooperação estreita e de longo prazo com o Governo de Angola e as instituições relevantes, promovendo a implementação contínua do projeto de forma legal, prudente e sustentável”.

Nos últimos anos, o Governo de Angola manifestou a intenção de investir em infraestruturas e projetos no setor. Em 2019, o secretário de Estado da Agricultura para Recursos Florestais, André de Jesus Moda, anunciou a construção de uma nova fábrica de celulose em Benguela pelo Governo e pelo Fundo Soberano de Angola. Anos antes, em 2014, a ministra da Indústria de então, Bernarda Martins, anunciou a intenção de reabilitar o complexo da antiga Companhia de Celulose e Papel de Angola, localizada na Ganda, na província de Benguela.

EAU em Angola

Este investimento evidencia, uma vez mais, o crescimento do interesse dos Emirados Árabes Unidos pelas oportunidades em Angola. No ano passado, os EAU, que se têm destacado entre os parceiros de Angola, assinaram com o país um pacote de 44 acordos com uma soma de 6,5 mil milhões de dólares (5,5 mil milhões de euros) de investimentos em vários setores da economia angolana. Nessa ocasião, o Presidente da República de Angola sublinhou o contributo daquele país para a diversificação e desenvolvimento da economia angolana, nomeadamente “a presença apreciável” de empresas dos EAU em território angolano.

Na presença do homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed Bin Zayed Nahyan, João Lourenço afirmou que essa “perspetiva não se restringe apenas a Angola”: “o vosso país emergiu como um dos investidores estrangeiros mais importantes em África, ocupando um lugar de destaque como parceiro para o desenvolvimento, com um volume de compromisso financeiro superior a 100 biliões [mil milhões] de dólares (84,8 mil milhões de euros) desde 2019 até ao presente momento”.

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