A filha do primeiro Presidente da República de Angola, Irene Alexandra da Silva Neto, optou por não receber a Condecoração Paz e Desenvolvimento, em comemoração ao 50° Aniversário da Independência Nacional.
Em causa, segundo comunicado enviado ao Correio da Kianda, está o que considera como prisão arbitrária e ilegal do seu esposo.
Carlos São Vicente é acusado de um conjunto de crimes, com destaque para o de peculato, branqueamento de capitais, bem como a realização de negócios consigo próprio dentro da Seguradora AAA, de que era proprietário, causando o desvio de fundos públicos.
Entretanto, no comunicado que temos vindo a citar, Irene Neto diz que “a sua família enfrenta uma situação extremamente difícil devido à detenção política de seu esposo, cujo caso foi severamente criticado por organizações internacionais, de direitos humanos e por juristas” e “insiste veementemente na necessidade urgente da sua libertação, considerando a prisão como arbitrária e ilegal”.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, das diligências feitas, se concluiu que Carlos São Vicente possui dinheiro espalhado em vários países, num montante de 2 mil milhões de dólares, que deverão ser revertidos a favor do Estado angolano ou ficarem à disposição nos países em que se encontram.
De recordar, que o Tribunal Supremo condenou São Vicente a devolver ao Estado, a título de indemnização, 4,5 mil milhões de dólares.
Contudo, a filha do Presidente Agostinho Neto, reforçou que a “libertação do seu esposo é prioridade absoluta” e, mesmo sentindo-se honrada por lhe ter sido outorgada a Condecoração, optou por declinar.
“Não há como celebrar ou receber esta homenagem com o orgulho que merece enquanto o meu esposo permanece preso de forma injusta, enquanto a minha família é forçada ao exílio”, escreveu e apelou “às autoridades competentes para que tomem todas as providências necessárias para garantir a sua liberdade imediata, bem como a devolução do património criado com esforço, dedicação e investimento”.
O empresário luso-angolano e genro de Agostinho Neto, Carlos São Vicente foi condenado em 2022, a nove anos de prisão efectiva, pelo Tribunal da Comarca de Luanda, e ao pagamento de uma indemnização de 500 milhões de dólares.
Correio Kianda