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Paul Biya: Aos 92 anos, chefe de Estado mais velho do mundo se apresenta ao oitavo mandato

Paul Biya, atual Presidente dos Camarões, se apresenta a um oitavo mandato. Aos 92 anos, o chefe de Estado mais velho do mundo está no poder desde 1982. Se vencer as eleições marcadas para 12 de outubro, poderá governar até perto do seu centésimo aniversário.

Ao fim de mais de quatro décadas de liderança, muitos camaronenses mostram-se descrentes quanto à possibilidade de um futuro melhor sob a presidência de Biya. As maiores preocupações da população mantêm-se inalteradas: o desemprego, a fraca qualidade da educação e o acesso limitado aos cuidados de saúde.

Apesar disso, a nova candidatura do Presidente gera, em muitos casos, apatia. Para Olivier Njoya, estudante universitário, “não é nenhuma surpresa. É simplesmente uma pena que haja pessoas que não pensam no bem comum, mas apenas nos seus próprios interesses.”

Christian Klatt, diretor da Fundação Friedrich Ebert nos Camarões, sublinha a longevidade política de Biya como um fenómeno digno de nota: “O que se ouve repetidamente de todos os lados, sejam adversários políticos ou mesmo do seu próprio campo, é que ele é uma pessoa muito tática e política, que sabe como colocar os concorrentes uns contra os outros.”

Oposição fragmentada e frágil

Para Klatt, essa capacidade tem impedido o surgimento de um verdadeiro sucessor, seja dentro do seu próprio partido ou entre os partidos da oposição.

As tentativas de formar uma frente unida contra Biya têm falhado sistematicamente. A mais recente coligação, conhecida como Grupo Douala, desfez-se antes mesmo de formalizar uma candidatura à presidência. As divisões ideológicas e estratégicas entre os partidos opositores continuam a minar qualquer esforço de mudança.

Entretanto, cresce a perceção de que o Presidente é, na verdade, o rosto de um sistema mais amplo e opaco. Philippe Nanga, ativista de direitos humanos, afirma que “assim que outro assumir oficialmente o poder, o partido irá dividir-se. Já existem profundas divisões internas.” Segundo o ativista, vários funcionários discordam da recandidatura de Biya, mas optam pelo silêncio por receio de represálias.

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